O que a seleção brasileira pode aprender com Argentina e Espanha

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Se vencer o desafio da estabilidade e dos processos, o Brasil verá com mais clareza que tem talentos suficientes para se inserir na elite

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para vocêCaminhos para Estabilidade e Sucesso no Futebol: Lições da Argentina e Espanha. O Brasil pode aprender com Argentina e Espanha sobre estabilidade, processos e construção coletiva.

Enquanto o caos na Copa América expõe a falta disso, a Argentina vence com liderança tranquila e a Espanha destaca-se pelo jogo coletivo. A instabilidade brasileira contrasta com a ascensão dos campeões. A Eurocopa e a Copa América mostram tendências táticas opostas, mas reforçam a importância do trabalho em equipe. Ronaldo e Messi emocionam, ressaltando a dedicação ao jogo. O futebol de seleções reflete as estratégias dos clubes, mostrando um cenário cada vez mais padronizado mundialmente. O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.O fim de semana de decisões nos torneios de seleções acrescentou o 45º troféu à carreira de Messi, a terceira conquista em sequência de uma geração que, há três anos, rompia um vazio de quase três décadas no futebol argentino. Horas antes, o melhor futebol coletivo dentre todos os 40 times que disputaram os torneios continentais consagrava a Espanha na Eurocopa. Impossível não pensar o que o Brasil pode aprender com os campeões. A diferença não está na capacidade de produzir talentos. Messi à parte, afinal extraterrestres devem ser avaliados dentro do caráter excepcional que representam, é possível achar nos vencedores perfis de meio-campistas escassos no Brasil. Mas a reunião de talentos nos quatro finalistas está longe de representar algo inacessível. Não é a soma de capacidades individuais que separa o Brasil desta elite. Fora de campo, a Argentina é um consolo: não tem uma liga nacional que dure toda a temporada, o calendário é confuso, sua federação tem a marca da desordem, a violência de torcidas é endêmica... No fim, o sucesso do time atual nos lembra como o desempenho de seleções formadas por jogadores radicados no exterior se dissocia cada vez mais das questões estruturais do jogo doméstico. Mas o Brasil de hoje tem traços da Argentina pré-2021, ano em que a Copa América tirou um peso das costas de Messi e pavimentou um ambiente mais propício ao título mundial no Catar. Antes, a seleção se tornara um fardo até para o melhor jogador do mundo, posto sob permanente cobrança, inclusive em sua relação com o país. A seleção mudava treinadores, viveu um ambiente caótico na Copa de 2018, por exemplo, e o resultado era um antagonismo entre time e opinião pública: uma geração de jogadores em permanente estado de defesa diante da saraivada de críticas. Não é exagero dizer que a instabilidade emocional de 2014, a pressão constante sobre Neymar nos Mundiais posteriores ou a catarse do gol e o posterior descontrole nos minutos finais contra a Croácia em 2022, todos estes são episódios naturais em Copas do Mundo, mas amplificados por um país que impõe o reencontro com uma taça. O Brasil teve três técnicos no último ano, viveu o auge do desgoverno e, na Copa América, viu entrevistas em tom desafiador de jogadores que, no fundo, reivindicavam no discurso a capacidade do jogador brasileiro de atuar na elite. Cada nova geração carrega o peso dos 22 anos sem um Mundial, algo que nem é inédito na história brasileira. A solução argentina foi um tanto casual. Scaloni nunca foi o projeto, resultou em grande parte da incapacidade da AFA de atrair nomes de mais grife. Mas sua liderança tranquila criou o ambiente para que os talentos assentassem. Ao permanecer por um ciclo completo, gerou um processo, uma construção coletiva. E é exatamente isso que o Brasil não tem. O que nos conduz à Espanha. Está claro que Lamine Yamal é destes jovens com ares de fenômeno, um jogador destinado à elite mundial do jogo. Ou que Rodri é o melhor volante do mundo há algumas temporadas. Mas se hoje é fácil exaltar a versatilidade de Fabián Ruiz, o dinamismo de Dani Olmo, ou a Copa América de alguns coadjuvantes da seleção, é igualmente útil voltar algumas semanas no tempo. A Espanha não chegou à Euro com ares de favorita destacada, e a avaliação sobre estes jogadores não era a que se tem hoje. Foi a construção de um jogo coletivo que permitiu aos talentos aflorarem e exibirem suas virtudes. Se vencer o desafio da estabilidade e dos processos, o Brasil verá com mais clareza que tem talentos suficientes para se inserir na elite.Enquanto o treinador do Canadá relatava casos de racismo contra seus jogadores, Marcelo Bielsa, do Uruguai, passava uma descompostura na Conmebol por causa do tamanho e qualidade dos campos e da falência na segurança que obrigou jogadores a se envolverem em brigas para defender familiares. O caos na final, que arriscou vidas, foi o desfecho de um torneio cheio de atrações em campo, mas desastroso na organização.Na Eurocopa foi Cristiano Ronaldo; na Copa América, Messi. As lágrimas dos dois maiores ícones do futebol no século tiveram motivos diferentes. O português sentia a dor do erro num pênalti; o argentino, a dor física no tornozelo. No fundo, ambos têm adversários em comum: o tempo e os limites do corpo. É uma lição brutal perceber, a esta altura da carreira, como estar em campo importa para ambos. Casos de amor às camisas e ao jogo.O futebol de seleções atual reflete as tendências das competições de clubes. Assim, esta foi a Eurocopa dos times posicionais, dos ataques com linhas de cinco ou seis homens e das marcações individuais ressurgindo. Um jogo cada vez mais padronizado no mundo, ainda que, na Copa América, os dois finalistas fossem mais fluidos: no lugar de jogadores ocupando zonas do campo com rigidez, era mais comum vê-los agrupados em torno da bola.

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